A chegada de Leonardo Jardim ao Cruzeiro marcou um ponto de virada no projeto esportivo do clube. O treinador português, com passagens marcantes por Monaco e Al-Hilal, trouxe ao time celeste uma nova abordagem tática, mais controle de jogo e maior valorização da base. Mas nem tudo são flores: apesar da evolução visível, o elenco ainda enfrenta obstáculos que precisam ser superados.
Organização e identidade: as marcas de Leonardo Jardim no Cruzeiro
Desde os primeiros jogos sob o comando de Jardim, foi possível notar uma mudança clara na forma de atuar da equipe. O Cruzeiro passou a apresentar mais compactação entre os setores, organização defensiva e construção ofensiva mais consciente. Mesmo em partidas complicadas, o time mantém uma postura equilibrada — o que era raro em temporadas anteriores.
Mudança total na postura com e sem bola
Uma das grandes virtudes do trabalho de Jardim é a recuperação do equilíbrio defensivo da equipe. Além de potencializar Fabrício Bruno como pilar defensivo, ele apostou no Fagner para dar maior consistência pelo lado direito e evoluiu Villalba como zagueiro pela esquerda. Montou um meio-campo coeso entre defesa e ataque, recuperando o alto nível de Lucas Silva e Romero. Além disso, como terceiro homem de meio-campo, pela direita, Christian tem dado apoio aos centrais e ao ataque.
O português reduziu a insegurança defensiva e trouxe mais verticalidade ao ataque, evidenciando as transições e trazendo à tona a capacidade de Kaio Jorge em atacar espaços no último terço do campo. A equipe não perde a intensidade mesmo quando utiliza jogadores jovens ou escalações alternativas.
A valorização da base cruzeirense
Um dos pontos altos da gestão de Jardim é a utilização dos atletas formados na Toca da Raposa. Jogadores como Kauã Prates, Kaique Kenji e Murilo Rhikman têm ganhado minutagem e se mostrado prontos para o futebol profissional. Além de dar mais opções ao elenco, essa aposta fortalece o patrimônio esportivo e financeiro do clube.
Nomes como Cauan Baptistella e Bruno Alves ganham força em meio a torcida e comissão técnica, por estarem fazendo um ótimo ano no Sub-20, ao comando do treinador Luciano Dias.
O Cruzeiro, que há anos sofria com a transição de atletas da base para a equipe principal, começa a colher os frutos de um processo mais bem orientado.
Os desafios do elenco com Leonardo Jardim
Apesar da evolução, o trabalho de Leonardo Jardim ainda enfrenta obstáculos relevantes no dia a dia do Cruzeiro. Alguns deles estão ligados à limitação técnica do elenco e à dificuldade de adaptação de determinados jogadores à proposta do treinador.
Falta de regularidade ofensiva
O time tem criado chances, mas ainda peca no aproveitamento. Em muitos jogos, a finalização tem sido o ponto fraco. Gabigol, por exemplo, apesar do esforço e entrega, ainda busca reencontrar seu melhor ritmo. Dinneno tem pouca minutagem desde que voltou da lesão no LCA, que o deixou fora dos gramados por mais de 9 meses, e Lautaro com visíveis dificuldades técnicas e de entendimento no ataque. Falta ao Cruzeiro um atacante de lado, que possa ser uma dupla consitente com Kaio Jorge, jogador de destaque do ano na equipe celeste.
Elenco curto e problemas físicos
Outro desafio é a quantidade limitada de peças com características ideais para a filosofia de Jardim, que gosta de times intensos, com proposta de transições extremamente verticais em direção ao gol. Com um calendário exigente e competições simultâneas, o técnico tem precisado fazer rodízio constantemente. Isso, somado a lesões pontuais e desgaste físico, muitas vezes obriga o treinador a improvisar ou recorrer a jovens ainda em processo de maturação, exemplo de Kauã Prates, reserva direto de Kaike Bruno, que ainda não é também um jogador maduro (22 anos).
Adaptação a jogos decisivos
O Cruzeiro ainda precisa evoluir no aspecto emocional e tático em jogos de maior peso, especialmente fora de casa. A eliminação precoce na fase de grupos da Copa Sul-Americana acendeu um alerta. A equipe precisa encontrar alternativas mais eficientes para lidar com adversários que ofereçam maior desafio defensivo. Bom exemplo disto foi a ótima partida frente ao Flamengo, dando esperanças de continuação deste trabalho.
Conclusão: um novo Cruzeiro em construção
Leonardo Jardim já deixou sua marca no Cruzeiro. Com pouco tempo de trabalho, conseguiu mudar a forma do time jogar, recuperou a competitividade e devolveu confiança à torcida. Mais do que resultados imediatos, o que se vê hoje é um projeto com potencial de crescimento.
Ainda há arestas a serem aparadas: o ataque precisa ser mais eficiente, o elenco precisa de reforços pontuais, e os jovens precisam ser trabalhados com cautela. Mas, com Jardim no comando, o Cruzeiro parece, finalmente, ter reencontrado o caminho da evolução.

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